terça-feira, 4 de março de 2014

Chão púrpura

John Lautermilch
Ninguém escuta além do próprio lamento
Nessa estrada ordinária não existe pedaço de chão
que não siga a mesma regra
Não é mérito suportar a solidão

Condenados a perpétua estagnação
O desejo é a barreira anti-locomoção
Frágil ideal de libertação
Humanamente asqueroso e carniceiro

A sujeira brota da mais íntima condenação
Dedos tóxicos apontando nas caras lambusadas pela derrota
Um gozo coletivo de orgasmos fingidos
Não sentem o mal cheiro do próprio umbigo
É devastador observar as cracas comendo os ossos enquanto as pessoas dormem
Eu bem tento acordar no meio tempo
Ação é reação pra quem consegue ver




Texto: Elise Vasconcelos

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