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| Audrey Kawasaki |
Infindável chuva que inunda o corpo. Na tez branca cresciam ranhuras, raízes sem voz. Quantos lugares o veneno pode te levar. Quando o vento tilintou a brisa dentro de si, as nuvens se fecharam em um ballet sombrio e o efeito venenoso coroou as paredes do estômago . Novamente o cheiro da morte, doce no olhar. Amargura de boca e agridoce de sexo. Areia se espalhando debaixo do sol aguardente, ela vive nesse lugar, debaixo da própria unha, a pele. Onde ela aguarda. Tratado retalhado em uma carta, o desgosto na face dela. Detestável, de novo, ela cala. Arranha dentro da pele, a unha. Sangra o ventre de aquarela, arranha dentro da unha, as vísceras. O suor que queima derramado na lenha, ela apaga o mar nervoso de rosas pálidas. Corre de ansiedade, nunca é o suficiente, nunca. Na hora da revolta, uma reviravolta, pois não terá o suficiente, isso basta. Os olhos se fecham em pesar descompasso, metamorfoseando o corpo dela. É o que a faz flutuar, pecados. A navalha é o que desfita o casulo e faz o brilho da lua banhar a carne através das rasgaduras, uma luta travada nela. Desperta do sonho afogado, do peito molhado, ela reconhece, a margem não é próxima como parecia. Ela desata os punhos como se fugisse da própria sombra, apenas respira. O sopro é a chama que lhe percorre o limite do corpo em chamas, não restam espaços. Ela renasce na madrugada turva, cantos de pássaros precedem o fim do começo. Ela não vê, não fala, mas houve um engano. Apenas respira, ela grita, resiste, ainda vive.
Texto: Elise Vasconcelos

Viver segue uma linha de existir. Sofrer atrasa nossa vida. Sigamos em frente, com a dor que não bastará. É preciso muito mais pra nos deixar pra baixo!
ResponderExcluirBonitas palavras. Gostei da visita ao Chão Púrpura.