quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Um toque sombrio em seu caminhar
Soa familiar em toda tarde
São irmãs inseparáveis
Laranja soprando o céu
E o riscado de vento levantando o chão
Não há folha que não se renda ao vendaval

Lança-se sob os leitos
Corpos despreparados se enchem, cabeças encharcadas de nostalgia
Cheiro de asfalto sufoca, ao mesmo tempo, que o tilintar das gotas alivia
O fogo ardente do meio dia

Hoje ela vem precipitada, as vezes pontual, outras atrasada
Bagunçando a vida de quem tem hora marcada
Adiantado o compromisso de quem reconhece o inevitável
Por um dia ou dois pode desparecer 
Mas nunca, nunca, deixa de nos visitar

terça-feira, 20 de novembro de 2018

A angústia entrando nos pulmões afoga de forma tão natural como o próprio ato de respirar, virou parte da rotina. Morte batendo na porta do coração descompassado, a garganta seca engasga as palavras que acumulam na cabeça. Distante das expectativas, e tão próxima do que não deseja, é perecível diante dos anseios e medos. Existe a temerosidade real de não conseguir libertar-se, isso precisava ser dito de uma forma ou de outra, mas há luta mesmo perante a insegurança. Ainda restam forças? Raízes preservadas pela sabedoria do senhor tempo, resgatadas, enquanto o que era podre por ser podre foi quebrado. Entenda, é esmagadora a realidade e ainda entranha no estômago feito leite estragado, pode te engolir de dentro para fora e de fora para dentro. Sobe o odor do pútrido chorume borbulhando no nariz, e os olhos reviram, lentamente,  embaixo dos pés o mundo em pedaços. O que será da terra quando não houver mais terra? Que venha depressa, aqueles que já viram, sabem que virá um dia.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O sol da noite

A dor que eu divido contigo 
Corre solta
além das fronteiras das nossas cabeças
O sol daqui a pouco se põe pra mim
mas para te estará nascendo
Vou esperar até que acabem os dias, os meses, os anos para reclamar o tempo perdido
até lá mais sóis terão explodido dentro do espaço vazio que a gente flutua
o que resta do destino que  tentamos domesticar
senão um emaranhado de decepções que nos afoga em um quarto abandonado, silencioso e cheio de lembranças mórbidas que nos amarra ao passado
Eu poderia dizer que essa brasa não vai mais queimar
mentira seria 
Ela vai arder e te testar até onde o teu couro aguentar 
e sei q vais aguentar, pq mesmo doendo já faz parte de ti
faz parte de mim também, as lágrimas petrificaram 
há muito tempo
Toda novidade é grandiosa e merecedora de prestígio 
quando n há vestígio de criação no mundo
Explorar-se para penetrar naquilo que ninguém quer ver
Nós n temos medo de olhar o reflexo bizarro 
as entranhas que somos feitos, a cartilagem, o osso e a escuridão 
Mas n somos esse corpo, não as entranhas, ou a cartilagem, o osso...
A estrela que se desvela no caos, a fagulha desmedida que corre viva como o puro fogo que rasga a negritude na escuridão 
Não é que eu n veja aquilo que sempre tentou sair 
é que eu tranquei e escondi a única cópia que restava

das sórdidas passagens que escrevi.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

E no meio dessa sujeira um possível alento, golpes ás escuras de dentro para fora.
O tormento que não valia uma miserávelzinha lágrima. Sabe-se lá o que mais caberia naquela bagagem velha. Parecia indisponível, sem vagas para qualquer veículo. Era tão dura, não era pedra, era dura de verdade. Não podia ser mais boba, vulnerável e incrivelmente cética sobre ele. Não se atreveria a dizer, mas já estava dizendo mil coisas sem querer. E ele encostava na cadeira, quase um paciente impaciente à espera do exame.Era um cinismo verdadeiro. Ele era ele.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Amantes

Toulouse Lautrec, Two lovers.

Eu, despida de vaidades
Contigo sou quem jamais imaginaria ser
Agora recomeço no teu corpo
Ancoro em tuas águas de mar profundo
Fundida em suor maciço para te carregar no peito

Sou a flor que desabrocha em tua janela
Um pássaro que transborda cantigas no nascer do sol
Tu és o raio que alimenta o meu canto
A chuva que rega minhas pétalas
Embalados nas curvas do vento seguimos em versos singelos





segunda-feira, 2 de março de 2015

Avidez das peles
Impulso de se perder nas horas inexistentes
Ferozmente, desejo seguindo suor adentro
Delicadamente, a sinuosidade das mãos tocando o ar
Verbos e respiração, o coração em arritmia
No chão as carcaças do que não são e nunca serão
As faces verdadeiras, destemidas, se encontrando na travessia dos olhos
Diálogos de loucos conhecidos, a vastidão do interior exposta a sangue frio



domingo, 1 de fevereiro de 2015

Mesmo?



Ao redor vejo os mesmos contrastes
Os mesmos maus hábitos e hálitos egoístas
O café da manhã com pão hidrogenado requentado na frigideira, a mesma notícia de apagão
O mesmo pânico de fim dos tempos
O medo da extinção, de não ter o que beber/comer, as mesmas condições de racionamento,  o caos nos estacionamentos
Não sabe se reclama ou se toma tento!
Será verdade, mesmo?  Será em 2020 ou em qualquer ano bissexto?
Será na próxima reencarnação? Ou na verdade vivemos essa ilusão?  Ontem, hoje, agora, amanhã... Ou é tudo repetição,  Ou é tudo repetição?  Ou é tudo repetição,  Ou é tudo repetição? Ou é tudo repetição?
Robóticos: Temos números,  nomes, serviços, e cada um o seu cartão.
Idiotizados, manipulados, comprados, amarrados, alienados... hipnotizados.