quarta-feira, 7 de junho de 2017

O sol da noite

A dor que eu divido contigo 
Corre solta
além das fronteiras das nossas cabeças
O sol daqui a pouco se põe pra mim
mas para te estará nascendo
Vou esperar até que acabem os dias, os meses, os anos para reclamar o tempo perdido
até lá mais sóis terão explodido dentro do espaço vazio que a gente flutua
o que resta do destino que  tentamos domesticar
senão um emaranhado de decepções que nos afoga em um quarto abandonado, silencioso e cheio de lembranças mórbidas que nos amarra ao passado
Eu poderia dizer que essa brasa não vai mais queimar
mentira seria 
Ela vai arder e te testar até onde o teu couro aguentar 
e sei q vais aguentar, pq mesmo doendo já faz parte de ti
faz parte de mim também, as lágrimas petrificaram 
há muito tempo
Toda novidade é grandiosa e merecedora de prestígio 
quando n há vestígio de criação no mundo
Explorar-se para penetrar naquilo que ninguém quer ver
Nós n temos medo de olhar o reflexo bizarro 
as entranhas que somos feitos, a cartilagem, o osso e a escuridão 
Mas n somos esse corpo, não as entranhas, ou a cartilagem, o osso...
A estrela que se desvela no caos, a fagulha desmedida que corre viva como o puro fogo que rasga a negritude na escuridão 
Não é que eu n veja aquilo que sempre tentou sair 
é que eu tranquei e escondi a única cópia que restava

das sórdidas passagens que escrevi.